26 de ago de 2009

Quando a Liberdade é uma Prisão

Quando o conteúdo a se falar é de liberdade sempre se tem uma polêmica quanto ao que de fato venha sê-la, já que se diz da relatividade, pois cada um vê de modo diferente o que é a liberdade e o modo de alcançá-la.
Quero começar, e expor nesse pequeno relato, apontando que quanto mais importante para uma pessoa for algo, mais intensa será a busca, e deliciosa a hora da conquista. Todos nós estamos dispostos a investir caro a fim de se alcançarmos um objetivo, e em principal a liberdade.
Conta-se a história que um homem que havia passado por uma mudança de pensamentos, deixara de acompanhar seus velhos companheiros de bebedeira, pois passara a freqüentar uma igreja evangélica e estava disposto a sair daquele tipo de vida. Os ensinamentos que haviam recebido do pastor estavam fazendo efeitos em sua vida.
Todos os dias a sua antiga companhia tornava a convidá-lo "para tomar uma", cuja resposta era sempre um não. Por isso os seus amigos o criticavam muito dizendo: "Pedrão era escravo da igreja, escravo do pastor, que não possuía mais liberdade e coisa e tal". Diante dessa condição, Pedrão, o velho Pedrão, resolveu que no final da tarde sairia e pagaria uma rodada a seus amigos.
Ao chegar o final do expediente, estavam todos ansiosos por ver o Pedrão à roda da mesa do bar. Quando todos estavam reunidos e esperando seu velho companheiro de farra. Pedrão chegou, cumprimentou a todos com um gracejo e disse ao dono do bar que trouxessem uma rodada de caninha com um aperitivo. Mal estava na mão de todos o copo com a bebida, viraram e pediram mais uma caninha. Pedrão olhou em volta fixando seus olhos em seu copo e disse: “eu não sou escravo do pastor, nem da igreja e muito menos do álcool. Apenas decidi que não beberia mais, e para mostrar isso a vocês trouxe vocês aqui. Quanto a vocês que se julgam livres, mal esperaram o copo chegar a suas mãos, se renderam à bebida”. Ao dizer essas palavras, olhou mais uma vez para o copo (o silêncio pairava no ar) apanhou-o, ergueu-se, foi em direção ao balcão e virou o copo com o líquido que escorreu ralo abaixo. Com essa atitude mostrou a todos que a liberdade que pensavam ter era de fato uma prisão.

“... porque de quem um homem é vencido, do mesmo é feito escravo...” (I Pd 2.19).

A palavra liberdade, eleutheria, conforme a etimologia grega, significava liberdade de movimento. Tratava-se de uma possibilidade do corpo, não considerada como um dado da consciência ou do espírito. Liberdade também teve como significado ausência de limitações e coações. A palavra alemã Freiheit (liberdade) tem origem histórica nos vocábulos freihals ou frihals. Ambos significavam “pescoço livre” (frei Hals), livre dos grilhões mantidos nos escravos.
Na Antigüidade, a liberdade era uma qualidade do cidadão, do homem considerado livre na estrutura da polis. A expressão da liberdade era sobre tudo política. Estava mais próxima do status libertatis, adquirido entre privilégios estamentais. Os antigos não conheciam a liberdade individual como autonomia ou determinação. Poder e liberdade eram palavras praticamente sinônimas. Compreendia-se a liberdade como o poder de se movimentar sem impedimentos, seja em razão da debilidade do corpo, seja em razão da necessidade ou mesmo em razão do impedimento oposto por ordem de um senhor. O “eu posso” era mais representativo do que o “eu quero”.
O acréscimo da liberdade com um dado da consciência pode ser historicamente visualizado com a descoberta da interioridade humana, região íntima responsável por determinar o modo de ser de cada um e a projeção que cada qual tem para o seu futuro.
Muito tempo se passou até que a liberdade deixasse de indicar um status político, ou uma circunstância aleatória de não impedimento e passasse a incorporar em seu significado uma disposição interior, uma qualidade íntima que prescindia do agir, um querer desvinculado do poder.
A bíblia, em seus ensinos, aponta vários modos e meios para que o homem alcance a liberdade. Todavia o homem toma para si rumos diferentes daquilo que o Senhor lhe deseja. As Escrituras contêm uma grande quantidade de conselhos para o homem a fim conduzi-lo à liberdade.
A criança que nasce em um lar onde seus pais fazem uso da bebida alcoólica e das drogas, logo estará moldada, pois seus pais possuem um padrão de vida a ser copiado, já que uma criança aprende via imitação. O ser humano aprende em contato com os demais, as crianças com os adultos. Diante disso, o conceito de liberdade pode e será imbuído no subconsciente da criança, segundo o qual, livre é quem faz uso de drogas e que ninguém tem nada a ver com isso.
Em nosso país, ou melhor, no senado e no plenário há leis que interpelam em favor da regularização da maconha.

“... prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção; porque de quem um homem é vencido, do mesmo é feito escravo...” (I Pd 2.19).

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, esteve recentemente em passeata no Estado do Rio de Janeiro em apologia à maconha, o que para a mídia foi um escândalo, já que muitos são os gastos do governo federal quanto à saúde por causa das drogas.
O estilo de vida e a cultura na qual a pessoa está inserida permearão conceitos e paradigmas que formará nela a concepção dos valores da vida. Quanto mais baixo for o nível de moral da sociedade em que ela estiver alocada, seus conceitos e valores estarão abaixo ou nivelados do padrão de vida das pessoas que a rodeia. Todo ser humano produz e sofre influência do meio, e isso lhe molda a forma de pensamento e conduta.
Para haver uma mudança na vida de uma pessoa, torna-se necessário que se desprenda de sua vã filosofia de vida, pois toda a mudança é decorrida do processo de compreensão e de confrontação. Ao confrontar os valores que pautam determinada “liberdade”, propiciará ao indivíduo a possibilidade de alcançar a verdadeira liberdade e ser “livre dos grilhões mantidos nos pescoços dos escravos".