16 de jun de 2011

As Guerras e a Globalização

A guerra, por ser um dos fenômenos que mais duramente tem afetado a humanidade, tornou-se objeto de estudo por parte da sociologia.

As sociedades de caçadores e recoletores, bem como as sociedades agrárias e pastoris não dispunham de exércitos, mas tão somente de uma tecnologia destrutiva muito rudimentar.

O desenvolvimento dos Estados-nação levou à constituição dos primeiros exércitos regulares. Enquanto até ao séc. XX as guerras eram limitadas à resolução de conflitos entre dois ou três estados, a história europeia do séc. XX foi moldada pela guerra total.

A guerra total resulta da industrialização da guerra e da aquisição de uma tecnologia destrutiva maciça e altamente especializada, bem como do desenvolvimento de uma organização bélica altamente sofisticada. As organizações militares tornaram-se burocráticas, com corpos permanentes de profissionais especializados e um serviço militar obrigatório para todos os homens, imposto pelos estados.

O séc. XX foi o mais destrutivo de toda a história da humanidade, pois a 1ª como a 2ª Grande Guerra foram globais envolvendo praticamente todos os estados independentes do mundo. Durante as guerras mundiais e durante a Guerra Fria, a indústria de armamento tornou-se um importante sector da economia mundial e os orçamentos militares não pararam de crescer até ao final dos anos 80. O fim da guerra fria representou um abrandamento nos gastos militares do Ocidente, continuando, no entanto, a gastar-se muito nos países do Terceiro Mundo.

Apesar do fim da Guerra Fria, continuam a colocar-se sérios problemas de segurança militar no mundo, considerando a proliferação de armas nucleares e químicas por toda a Terra. A segurança internacional ainda vive sob a ameaça do retorno à guerra total.

Na era em que vivemos, marcada por uma economia globalizada, onde predomina a ideologia neoliberal, há uma transformação dos paradigmas relacionados a questões sociais, soberanas, educacionais e humanas.

Neste contexto, as relações econômicas são reguladas pelo mercado num mundo sem fronteiras, de reestruturações tecnológicas, que afeta tanto as formas de produção, organização e gestão empresarial quanto à própria natureza do Estado e a sua função enquanto instituição reguladora e promotora do bem-estar social e econômico. O Estado, enquanto nação soberana, transforma-se em um Estado fraco, sem condições de impor sua autonomia frente às imposições da globalização e seu Estado dominador supranacional.

Após alguns anos da implantação desta nova ordem global de liberação econômica, privatizações e revoluções tecnológicas, verifica-se que ocorreram muitos avanços na área da tecnologia, nos meios de comunicação e informação entre outros; mas por outro lado, trouxe muitos prejuízos nas áreas sociais, econômicas, educacionais e humanas para muitas pessoas que não são beneficiadas pelos impactos tecnológicos.

Desta forma, presencia-se toda uma discussão a respeito da intervenção do Estado na promoção do interesse público, nas suas mais diversas áreas e nos vários níveis de intensidade, conciliando a responsabilidade ou dever de conduzir uma economia de mercado estabilizada perante o sistema financeiro internacional, com os problemas sociais urgentes, que ainda precisam ser resolvidos, principalmente nos países periféricos.

Nesta nova era mundial (Era Globalizada), na busca por novos mercados e pela internacionalização da produção, faz-se necessário diminuir as fronteiras de Estados nacionais, flexibilizando-os e tornando-os muitas vezes, principalmente os países menos desenvolvidos, em meros consumidores de produtos industriais e em fontes de matéria-prima e mão-de-obra barata.

Os países, principalmente os periféricos, tiveram que se submeter a todas essas exigências, estes ajustes estruturais, como condição para renegociarem suas dívidas externas com as agências financeiras multilaterais, pois só depois que as economias fossem liberalizadas o capital global entraria nesses países e estes, não por acaso, já estavam com as suas economias deterioradas após a primeira etapa de globalização financeira na década de oitenta.

Os Estados nacionais, que por quase todo o século passado tinham como um dos seus principais objetivos a promoção do bem-estar social e econômico da nação e era um instrumento de defesa desta, foram se enfraquecendo a medida que avançava o processo de globalização ou de transnacionalização, reduzindo a proteção externa de suas economias, adaptando-as com as economias mundiais e diminuindo a sua capacidade de controlar os fluxos de pessoas, bens e capital.

Outra característica marcante desse processo é que, com a globalização, houve um drástico aumento na diferença entre os países pobres e ricos e também entre os pobres e os ricos de cada país. Alguns autores afirmam que não há globalização efetivamente, pois à medida que se abrem as fronteiras econômicas pelo mundo, se reforça as fronteias econômicas dos países hegemônicos ou centrais e o comércio internacional ocorre em situações desiguais, entre países com condições sócio-econômicas e culturais diferentes.

A globalização da pobreza, sendo resultante de tal fato também o desemprego, a destruição das economias de subsistência e a minimização dos custos salariais à escala mundial.

Na medida em que os Estados nacionais já não são mais o único sustentáculo dos sistemas econômicos, estes se encontram com um elevado grau de exposição e vulnerabilidade, submetidos a tensões de diferentes lógicas de funcionamento que movem os mercados globais, permitindo que Estados hegemônicos, controladores do processo econômico em escala mundial, determinem suas leis e a forma de condução das políticas sociais e educacionais.


Referências
LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. 7. Ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1999.
http://www.uj.com.br/publicacoes/doutrinas/6009/A_Constituicao_Federal_e_os_Direitos_Sociais_Basicos_ao_Cidadao_Brasileiro
http://www.centrorefeducacional.com.br/estaeduc.htm

O Desafio da Educação na Era da Informática


Ao discorrer sobre os efeitos cada vez mais presentes da tecnologia, da comunicação e da informação no cotidiano das pessoas, assim como no ambiente escolar (não na forma de conteúdos pedagógicos porque a escola ainda trata os meios de comunicação como um clandestino, um invasor dos seus muros; mas extra-classe, como nas conversas dos corredores, no recreio), McLuhan (1969) tece comentários ao arcaísmo em que se encontra a educação, enclausurada em modelos e métodos nos quais as evoluções sociais e tecnológicas, em especial, não são acolhidas. Seu principal foco de crítica é a estandardização do ensino – ou seja, a modelagem dos indivíduos sem respeitar suas diversidades, seus tempos e espaços, ao lhe impor uma educação linear e seqüencial, baseada em lições, livros, horários, calendários de atividades, salas estrategicamente separadas, currículos e conteúdos que não suscitam no estudante o engajamento, a descoberta do novo, mas apenas a repetição de velhas fórmulas – ancorado na disciplinarização e sujeição do homem, com objetivo de produzir “um corpo dócil, que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado” (Foucault, 2004, p. 118).

Esse tipo de escola mostra-se apenas preocupada em atender as necessidades e demandas da máquina social, ou seja, recrutar e formatar indivíduos, transformando-os em operários-padrão especializados. Segundo ele, nesta ótica, à escola e ao professor cabe a tarefa de moldar o homem, especializando-o numa área, parcializando-o, criando um ser amorfo e acrítico à sociedade que o cerca, isto é, construindo um sujeito competidor altamente treinado e qualificado. As conseqüências deste projeto educacional, alerta o teórico, têm sido mimetizar o indivíduo e suscitar a competição. Segundo ele, nesta ótica, à escola e ao professor cabe a tarefa de moldar o homem, especializando-o numa área, parcializando-o, criando um ser amorfo e acrítico à sociedade que o cerca, isto é, construindo um sujeito competidor altamente treinado e qualificado. Pois, para ele, educar não é sinônimo de formar e manter homens a meio caminho de suas possibilidades de desabrochamento, mas, ao contrário, abrir-se à essência e à plenitude da sua existência” (McLuhan, 1969, p. 57-58).

Esta especialização, ou como McLuhan classifica, estandardização, que atende apenas às políticas e aos interesses dos sistemas produtivos, não valoriza o homem no seu todo; ao contrário, traz no seu cerne os efeitos de, ao formatar o indivíduo igualando-o, de torná-lo uma peça de fácil substituição na engrenagem da máquina produtiva de bens e de consumo.

A crítica de McLuhan tem como endereço o modelo, cada vez mais profissionalizante e formatador, em que as escolas se inseriram. Ou seja, ao invés de promover/encorajar as multiplicidades humanas, dando-lhes chances de descobrir em si suas potencialidades e capacidades, quer-se pré-fabricar indivíduos, robotizá-los, igualando-os e nivelando-os por baixo. O autor alerta que a escola tem se afastado cada vez mais do seu objetivo, o de ser um centro aberto de debates, sem muros, sem cercas, para tornar-se uma produtora e repositora de mão-de-obra especializada, como se a ela coubesse o papel de recrutar operários para os setores de produção, seja na iniciativa privada ou no aparelho estatal.

O maior desafio dessa educação da era eletrônica é rever a questão modular hierarquizada, esquadrinhada, em que se encontra a escola, o que para tanto é preciso que os professores deixem de ser meros reprodutores de um “saber” específico, como eram os leitores de pergaminhos em tempos medievais, e assumam a cena como construtores de saberes múltiplos, promovendo o diálogo entre as culturas e as diversas visões do mundo que chegam à sala de aula por meio dos educandos com suas tradições, vivências, experiências (historicidade), e também através dos meios de comunicação.

Em tempos de aldeia global, o professor-informante e o aluno-ouvinte estão fadados a personagens de uma narrativa do passado. Ao professor e ao aluno cabem o papel de promover as discussões críticas das mensagens e construir novos conhecimentos a partir destas experienciações. Na dimensão propiciada pelo uso adequado das novas tecnologias de comunicação, a “escola-planeta” decreta o fim do esquema da memorização, do condicionamento, das respostas prontas, desde que não se mantenha uma atitude passiva diante da mídia.

Apesar de todas as novidades agregadas ao campo da educação e da pedagogia, a escola enquanto estrutura medievalizada de claustro, e formatadora de homens, deixa de ser atraente aos estudantes desta era eletrônica. Estes respondem ao poder que os a-sujeita com insubordinação, e uma destas formas de sublevação pode ser entendida como a repetência, a evasão e o abandono escolar, cujos níveis percentuais mostram-se inaceitáveis.

Assim, torna-se imperativo decretar o fim do sentido teatral-feudal que os estabelecimentos de ensino têm hoje, onde o palco é a sala de aula, o professor o ator único com seu monólogo já corroído pela velocidade com que se produz informação/conhecimento, e o aluno uma platéia-ouvinte que, alijado do processo de mediar a construção dos saberes trespassados por uma cultura não-homogênea do conhecimento técnico-científico dado como verdade, fica privado do sentido da comunicação posta aqui como “tornar comum a experiência”. Desta forma, quanto mais diferentes forem os indivíduos, mais possibilidades eles terão de transmitir uns aos outros suas experimentações, vivências e olhares. E este parece ser o papel da escola, da educação, do mestre: constituir pessoas, não máquinas, nem operários.


Referências
http://www.infoescola.com/informatica/hipertexto/

McLuhan e seu conceito de "aldeia global"

Herbert Marshall McLuhan nasceu em 1911, no Canadá. Formado pela Universidade de Manitoba, lecionou em diversas faculdades de seu país até conseguir o Ph.D. em Cambridge, em 1942. Tornou-se professor titular de literatura na Universidade de Toronto em 1952, cargo que exerceu durante toda a sua vida. Autor de inúmeros artigos para revistas científicas, tornou-se mundialmente famoso em 1964 ao publicar Understanding Media, onde expunha suas teses sobre a tecnologia e o conhecimento. Acumulando prêmios, defensores e inimigos, McLuhan publicou outros livros divulgando suas idéias, mantendo sempre a linha polêmica até sua morte, em 1980.

Criador da idéia de "aldeia global" trouxe para a educação novo enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação. "Uma rede mundial de ordenadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro". Em tempos de internet, essa frase é óbvia. Quando foi dita, há quase 40 anos, parecia extraída de um livro de ficção. O autor, um canadense chamado Marshall McLuhan, foi chamado de sonhador a louco, conforme a simpatia que suas idéias provocavam.

Em seu livro “Understanding Media”, que, em português ganhou o título de Os meios de comunicação como extensões do homem , de 1964, a grande novidade do autor em relação à educação é o enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação – mais uma vez, adiantando-se à criação de um campo de estudos, Comunicação e Educação, que só seria explorado na década dos 90.

McLuhan, em seu livro Revolução na Comunicação, explica que a maior parte da aprendizagem ocorre fora da sala de aula. A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excede, de longe, a quantidade de informações transmitidas pela instrução e textos escolares. propõe que, até o surgimento da televisão, vivíamos na "galáxia de Gutemberg" onde todo o conhecimento era visto apenas em sua dimensão visual. Sua idéia é simples: antigamente, o conhecimento era transmitido oralmente, por lendas, histórias e tradições. Quando Gutemberg inventou a imprensa, permitiu que o conhecimento fosse mais difundido. Mas, por outro lado, reduziu a comunicação a um único aspecto, o escrito. "Antes da imprensa, o jovem aprendia ouvindo, observando, fazendo. A aprendizagem tinha lugar fora da aula", explica o autor.

Lauro de Oliveira Lima, um dos maiores especialistas brasileiros em Jean Piaget mostra, em Mutações em Educação Segundo McLuhan, que "o professor brasileiro não atingiu sequer a utilização do livro. Comporta-se ainda como o 'lector' medieval que recitava papiros e pergaminhos para uma platéia analfabeta". McLuhan era crítico feroz da escola tradicional, o autor canadense aponta os defeitos do sistema atual, que, segundo ele, prefere criticar a mídia, em vez de utilizá-la como aliada na educação. Afirma ainda que "a educação escolar tradicional dispõe de um impressionante acervo de meios próprios para suscitar em nós o desgosto por qualquer atividade humana, por mais atraente que seja na partida".

Segundo McLuhan o ponto de partida para a educação é a vontade do aluno em aprender. "Onde o interesse do estudante já estiver focalizado, aí se encontra o ponto natural de elucidação de seus problemas e interesses", completa.  "A educação escolar tradicional suscita em nós o desgosto por qualquer atividade humana".

Um de seus mais famosos conceitos é o de "aldeia global". Em seu livro O meio é a mensagem  afirma que "a nova interdependência eletrônica cria o mundo à imagem de uma aldeia global". Quando ele falou isso, a coisa mais parecida com internet que existia eram as redes de computadores militares norte-americanas. Computador pessoal era apenas um sonho, distante.

A evolução tecnológica deixa de ser mera coadjuvante na vida social e o próprio meio passou a ser a principal atração, a informação. Muitas das páginas que estão na internet, por exemplo, poderiam ser livros ou revistas, mas, segundo McLuhan, tornam-se interessantes justamente por que estão em um novo meio de comunicação. Uma das mais curiosas idéias de McLuhan é a de que "os meios de comunicação são extensões do homem". Assim como se usa uma pinça para aumentar a precisão das mãos e uma chave de fenda para girar um parafuso, os meios de comunicação seriam, na verdade, extensões dos sentidos do homem.

McLuhan já dizia que o estudo deveria ser uma atividade divertida. A escola, para ele, ainda não tinha percebido essa realidade óbvia. E completa: "É ilusório supor que existe qualquer diferença básica entre entretenimento e educação. Sempre foi verdade que tudo o que agrada ensina mais eficazmente".





Referências

http://www.infoescola.com/informatica/hipertexto/