16 de jun de 2011

O Desafio da Educação na Era da Informática


Ao discorrer sobre os efeitos cada vez mais presentes da tecnologia, da comunicação e da informação no cotidiano das pessoas, assim como no ambiente escolar (não na forma de conteúdos pedagógicos porque a escola ainda trata os meios de comunicação como um clandestino, um invasor dos seus muros; mas extra-classe, como nas conversas dos corredores, no recreio), McLuhan (1969) tece comentários ao arcaísmo em que se encontra a educação, enclausurada em modelos e métodos nos quais as evoluções sociais e tecnológicas, em especial, não são acolhidas. Seu principal foco de crítica é a estandardização do ensino – ou seja, a modelagem dos indivíduos sem respeitar suas diversidades, seus tempos e espaços, ao lhe impor uma educação linear e seqüencial, baseada em lições, livros, horários, calendários de atividades, salas estrategicamente separadas, currículos e conteúdos que não suscitam no estudante o engajamento, a descoberta do novo, mas apenas a repetição de velhas fórmulas – ancorado na disciplinarização e sujeição do homem, com objetivo de produzir “um corpo dócil, que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado” (Foucault, 2004, p. 118).

Esse tipo de escola mostra-se apenas preocupada em atender as necessidades e demandas da máquina social, ou seja, recrutar e formatar indivíduos, transformando-os em operários-padrão especializados. Segundo ele, nesta ótica, à escola e ao professor cabe a tarefa de moldar o homem, especializando-o numa área, parcializando-o, criando um ser amorfo e acrítico à sociedade que o cerca, isto é, construindo um sujeito competidor altamente treinado e qualificado. As conseqüências deste projeto educacional, alerta o teórico, têm sido mimetizar o indivíduo e suscitar a competição. Segundo ele, nesta ótica, à escola e ao professor cabe a tarefa de moldar o homem, especializando-o numa área, parcializando-o, criando um ser amorfo e acrítico à sociedade que o cerca, isto é, construindo um sujeito competidor altamente treinado e qualificado. Pois, para ele, educar não é sinônimo de formar e manter homens a meio caminho de suas possibilidades de desabrochamento, mas, ao contrário, abrir-se à essência e à plenitude da sua existência” (McLuhan, 1969, p. 57-58).

Esta especialização, ou como McLuhan classifica, estandardização, que atende apenas às políticas e aos interesses dos sistemas produtivos, não valoriza o homem no seu todo; ao contrário, traz no seu cerne os efeitos de, ao formatar o indivíduo igualando-o, de torná-lo uma peça de fácil substituição na engrenagem da máquina produtiva de bens e de consumo.

A crítica de McLuhan tem como endereço o modelo, cada vez mais profissionalizante e formatador, em que as escolas se inseriram. Ou seja, ao invés de promover/encorajar as multiplicidades humanas, dando-lhes chances de descobrir em si suas potencialidades e capacidades, quer-se pré-fabricar indivíduos, robotizá-los, igualando-os e nivelando-os por baixo. O autor alerta que a escola tem se afastado cada vez mais do seu objetivo, o de ser um centro aberto de debates, sem muros, sem cercas, para tornar-se uma produtora e repositora de mão-de-obra especializada, como se a ela coubesse o papel de recrutar operários para os setores de produção, seja na iniciativa privada ou no aparelho estatal.

O maior desafio dessa educação da era eletrônica é rever a questão modular hierarquizada, esquadrinhada, em que se encontra a escola, o que para tanto é preciso que os professores deixem de ser meros reprodutores de um “saber” específico, como eram os leitores de pergaminhos em tempos medievais, e assumam a cena como construtores de saberes múltiplos, promovendo o diálogo entre as culturas e as diversas visões do mundo que chegam à sala de aula por meio dos educandos com suas tradições, vivências, experiências (historicidade), e também através dos meios de comunicação.

Em tempos de aldeia global, o professor-informante e o aluno-ouvinte estão fadados a personagens de uma narrativa do passado. Ao professor e ao aluno cabem o papel de promover as discussões críticas das mensagens e construir novos conhecimentos a partir destas experienciações. Na dimensão propiciada pelo uso adequado das novas tecnologias de comunicação, a “escola-planeta” decreta o fim do esquema da memorização, do condicionamento, das respostas prontas, desde que não se mantenha uma atitude passiva diante da mídia.

Apesar de todas as novidades agregadas ao campo da educação e da pedagogia, a escola enquanto estrutura medievalizada de claustro, e formatadora de homens, deixa de ser atraente aos estudantes desta era eletrônica. Estes respondem ao poder que os a-sujeita com insubordinação, e uma destas formas de sublevação pode ser entendida como a repetência, a evasão e o abandono escolar, cujos níveis percentuais mostram-se inaceitáveis.

Assim, torna-se imperativo decretar o fim do sentido teatral-feudal que os estabelecimentos de ensino têm hoje, onde o palco é a sala de aula, o professor o ator único com seu monólogo já corroído pela velocidade com que se produz informação/conhecimento, e o aluno uma platéia-ouvinte que, alijado do processo de mediar a construção dos saberes trespassados por uma cultura não-homogênea do conhecimento técnico-científico dado como verdade, fica privado do sentido da comunicação posta aqui como “tornar comum a experiência”. Desta forma, quanto mais diferentes forem os indivíduos, mais possibilidades eles terão de transmitir uns aos outros suas experimentações, vivências e olhares. E este parece ser o papel da escola, da educação, do mestre: constituir pessoas, não máquinas, nem operários.


Referências
http://www.infoescola.com/informatica/hipertexto/

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