9 de dez de 2009

Corrupção, Tronos e Reis


Em toda a história humana que envolva poder, dinheiro e status, sempre haverá relatos que aborde a corrupção de valores morais em meio à cúpula dos poderosos.

O poder influencia aquele que o possui, pois que com ele alcançam-se meios para se impor sobre os outros, a fim de adquirir sujeição e domínio. Com o poder em mãos faz-se uso do dinheiro para manipular e controlar as ações de pessoas que se envolvem com os meios administrativos e políticos.

Em tempos atuais vemos reportagens televisivas que revelam a postura de nossos representantes nas Câmaras estaduais e federais e no Senado. Causa-nos vergonha a condição moral e ética de nossos representantes! Certo político chegou a afirmar que não tem medo de perder o eleitorado por causa de seus atos ilícitos em seu mandato, pois tais ocorrências não seriam lembradas por seus eleitores no próximo ano.

Ao analisar a história do Brasil, pode-se encontrar uma serie de abusos do poder público, desde a vinda da Coroa portuguesa para cá, quando moradores tiveram que abandonar suas casas que lhes eram confiscadas.

A bíblia tem narrativas que apontam o grau de corrupção no trono de Israel, e isto com o primeiro rei. Saul, quando foi rejeitado por Deus, tendo ouvido a sentença por intermédio do profeta Samuel, disse: “Pequei; honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo, e diante de Israel.”(I Sm 15.30). Ao que, diante dessa petição, o profeta Samuel atendeu. Esse relato bíblico nos remete a ver o caráter do profeta sendo afetado pelas palavras do rei. Há quem defenda Samuel ao afirmar que foi pressionado e induzido a apresentar o rei diante do povo, e o fez por medo de morrer naquele momento. Todavia o que se vê é um exemplo de corrupção no trono de Israel.

Outro exemplo de corrupção no trono israelita é o de Acabe que ao desejar um determinado campo de vinha que pertencia a Nabote, onde lemos:

“E sucedeu, depois destas coisas, tendo Naboth, o jezreelita, uma vinha, que em Jezreel estava junto ao palácio de Acab, rei de Samaria, que Acab falou a Naboth, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha, ao pé da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor do que ela; ou, se parece bem aos teus olhos, dar-te-ei a sua valia em dinheiro. Porém Naboth disse a Acab: Guarde-me o Senhor de que eu te dê a herança dos meus pais.(I Re 21.1-3).

Acabe, persuadido por sua esposa, leva Nabote como réu ante o tribunal e o condena à morte, utilizando falsa testemunhas a seu favor. Com essa plataforma corrupta alcança seu objetivo e possui a vinha. Isto está registrado nos versículos citados a seguir:

Então escreveu cartas em nome de Acab, e as selou com o seu sinete; e mandou as cartas aos anciãos e aos nobres que havia na sua cidade e habitavam com Naboth. E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum, e ponde a Naboth acima do povo. E ponde defronte dele dois homens, filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei: e trazei-o fora, e apedrejai-o, para que morra. E os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que habitavam na sua cidade, fizeram como Jezabel lhes ordenara, conforme estava escrito nas cartas, que lhes mandara. Apregoaram um jejum, e puseram a Naboth acima do povo. Então vieram dois homens, filhos de Belial, e puseram-se defronte dele; e os homens, filhos de Belial, testemunharam contra ele, contra Naboth, perante o povo, dizendo: Naboth blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram com pedras, e morreu. Então enviaram a Jezabel, dizendo: Naboth foi apedrejado, e morreu. E sucedeu que, ouvindo Jezabel que já fora apedrejado Naboth, e morrera, disse Jezabel a Acab: Levanta-te, e possui a vinha de Naboth, o jezreelita, a qual ele te recusou dar por dinheiro; porque Naboth não vive, mas é morto. E sucedeu que, ouvindo Acab que já Naboth era morto, Acab se levantou, para descer para a vinha de Naboth, o jezreelita, para a possuir. (idem vs 8 a 16).

Até mesmo no novo testamento há registro de corrupção dentro do poder religioso que governava em Israel, como é lido no evangelho de Mateus no capítulo 26 onde se encontra o preço que elencaram para que Judas traísse Jesus. Lê-se:

Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes, e disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata. E, desde então, buscava oportunidade para o entregar.

A corrupção junto ao governo é coisa antiga e parece ser da natureza pecaminosa do homem ceder à condição manipuladora dos que obtêm o poder. O mesmo grupo de sacerdotes comprou alguns para deporem dizendo que os discípulos haviam retirado o corpo de Jesus de seu túmulo, e agora diziam ter ressuscitado (Mt 28.11-15).

No livro de Atos no capítulo 8 há um relato sobre um mago que quis corromper a Pedro oferecendo dinheiro para que adquirisse o poder de impor as mãos sobre as pessoas para que recebessem o batismo. Ao que Pedro com toda a autoridade argüiu:

O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é recto diante de Deus. (At 8.20-21)

Percebe-se então que o homem, que ocupa uma posição de autoridade quer no governo ou mesmo em uma religião, precisa se portar com dignidade e honra, para que não seja apanhado em atos vergonhosos.

O papel da mídia é mesmo revelar as atitudes do parlamentares que não fazem jus a sua posição de liderança e poder, e cabe ao povo repensar em quem se deva votar nas próximas eleições.

Não podemos nos esquecer de que, como cristãos, temos que orar por nossos representantes no governo, pois essa é uma responsabilidade de cada servo de Deus, como citou Paulo em sua carta pastoral a seu filho na fé Timoteo.

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